sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A VERTEBROTERAPIA

BREVE HISTÓRICO
Totalmente desconhecida dos médicos antigos, a vertebroterapia ou osteopatia deve seu nascimento e seu desenvolvimento aos trabalhos de um médico americano,Dr. A.T.Still, nascido em 1830 e falecido em 1917. Entretanto, já antes de Still, em 1834, dois médicos ingleses, os irmãos Grifin, puderam constatar que existia uma certa sensibilidade das vértebras cervicais em quase todas as afecções associadas ao crânio. Do mesmo modo, nas ocasiões de manifestações brônquicas, cardíacas ou gastrointestinais, a zona de maior sensibilidade situava-se na altura da região dorsal média. Mais ou menos na mesma época, o médico sueco Ling achava que, nas doenças do coração, a sensibilidade vertebral ao apalpamento aumentava na altura dos 4º e 5º nervos dorsais. Mas é o Dr. Still a quem se devem os maiores progressos no que concerne ao conhecimento da topografia das vértebras quanto á sua repercussão sobre as vísceras. Aplicando, então, esse conhecimento ao tratamento de inúmeros distúrbios que pressentia devessem ser atribuído a um desequilíbrio da estática da raque, obteve tais resultados positivos que, como era natural, provocou hostilidade de seus colegas. Apesar desses ataques, perseverou em suas pesquisas e, juntamente com jovens atraídos pelo seu método, formou a primeira escola americana de osteopatia, 1892. Desde então, essa técnica terapêutica tomou um impulso considerável nos países de língua inglêsa, e é agora praticada por grande número de médicos especializados nessa disciplina. Outro nome que merece destaque neste breve apanhado histórico é do médico londrino Dr. Head, que partilhava dos mesmos métodos, mas sem saber que estava praticando a vertebroterapia.
AS BASES DA VERTEBROTERAPIA
Constatações Anatômicas – sem pretender entrar em detalhes que dizem respeito á descrição das raízes nervosas e de seus anexos que partem da medula espinhal, complexos demais para um leigo, vamos nos limitar a fornecer aqui o mínimo que se deve conhecer para compreender o modo de ação da lesão osteopática e suas repercussões, sobre o organismo. Compreende-se que a mínima tensão que ocorra nos ligamentos que unem as vértebras entre si e que se manifeste após um deslocamento mesmo pequeno desses corpos ósseos, irá se repercutir sobre o segmento da medula espinhal que lhe corresponde, sobre o gânglio simpático, e daí sobre o órgão que ele inerva.
Constatações Fisiológicas - considerada a sua importância anatômica e sua riqueza em centros e em condutos nervosos, a região vertebral e paravertebral influencia todo o funcionamento do sistema simpático, e os distúrbios que o atingem tem repercussões sobre as vísceras; as ligações dos filetes do simpático são complexas e variadas e penetram profundamente nos órgãos; segue-se que toda irritação passageira ou contínua que atinja uma ou outra das ramificações desse sistema, concretiza-se sob a forma de um distúrbio funcional, prelúdio de uma lesão orgânica. A redução da lesão osteopática restabelecerá a conexão normal entre esses diferentes elementos e permitirá a volta dos reflexos normais.
Constatações Patológicas – alguns exemplos patológicos, escolhidos propositalmente por sua simplicidade e por seu grau de ocorrência no individuo, ilustrarão o que acaba de ser explicada a respeito dos deslocamentos das superfícies ósseas vertebrais. Muitas nevralgias torácico-braquias rebeldes que vem freqüentemente acompanhada de falsa angina do peito, tem como causa um desvio das costelas superiores da caixa torácica: do mesmo modo, a subluxação de um osso ilíaco pode determinar uma compressão reflexa do nervo ciático pelos músculos vizinhos; nesse caso, o doente irá se queixar de uma forte ciática. Muitas dores de cabeça, sobretudo as que se seguem a uma queda violenta ou a um acidente de carro, devem-se a um pequeno deslocamento de uma vértebra cervical sobre a outra. Se o apalpar a região, se constatar ao mesmo tempo a existência de uma contratura dos músculos cervicais pode-se confirmar o diagnóstico e reduzir manualmente esse vicio da estática vertebral. Poderíamos, assim, multiplicar os exemplos

AS LOCALIZAÇÕES PATOLÓGICAS E SUAS CONSEQUENCIAS
Lesões Cervicais – qualquer choque lateral que atinja a cabeça tende a produzir uma rotação desta sobre o atlas; do mesmo modo, na ocasião de uma forte queda sentada ou de pé, e se cabeça já se encontrar em rotação, constataremos um deslocamento das primeiras vértebras cervicais. Sem entrarmos em detalhes complexos podemos dizer que as lesões osteopáticas dessa parte da coluna vertebral podem ser a conseqüência de rotações forçadas, de escorregões, ou ainda de movimentos de flexão de distensão forçados; elas serão mais marcantes á medida que o choque que as produziu tiver sido mais brusco e violento. Essas modificações da estatura agravam-se com o deslocamento dos discos intervertebrais, deslocamentos que, aliás, podem ocorrer por conta própria. Esse tipo de lesão manifesta-se através de um torcicolo, de fortes nevralgias recidivas que se irradiam na cabeça, nos ombros e nos braços, ou ainda de distúrbios da meninge e de vertigens.
Lesões Torácicas - ocorrem após um choque ou um traumatismo brutal ocasionadas por um movimento intempestivo de flexão, de distensão, de inclinação ou de rotação do tórax, essas lesões afetam as vértebras dorsais quanto às costelas.
Lesões Lombares – como no caso precedente, as lesões osteopáticas que afetam as vértebras lombares, com ou sem deslocamento dos discos,podem ter como causa um exagero dos movimentos de flexão, de distensão ou de rotação. Segue-se o aparecimento de lumbago, que pode até surgir após um esforço mínimo, se não de uma ciática refratária aos outros tratamentos.
Lesões sacro-ilíacas - a articulação que liga o sacro ao osso ilíaco, embora sustentada por fortes ligamentos, pode ser considerada como suscetível de deslocar sob o efeito de um violento choque traumático que ocorre nesse ponto; a cada deslocamento do sacro, tanto para frente como para trás, corresponderá um deslocamento do ilíaco no sentido oposto. Esse movimento, por ser mínimo, nem sempre pode ser detectado pelos exames radiográficos, apesar disso não deixa de provocar fortes dores na cintura, na região lombar baixa, tanto mais que o peso do corpo, transmitido pela coluna vertebral. Esses exemplos permitem pressagiar a importância das manobras de redução desses deslocamentos, levando em conta o número de manifestações patológicas relacionados a esse tipo de lesões vertebrais.





HIPÓTESES DE AÇÃO DA VERTEBROTERAPIA
Como muitas terapêuticas que ainda não receberam a consagração oficial dos meios universitários – a Vertebroterapia- ainda continua contestada do ponto de vista de sua eficácia e de sua realidade clinica; e , no entanto, ela já conta com um número impressionante de curas. O osteopatapa, que para confirmar seu diagnóstico, serve-se das mãos e principalmente da extremidade digital, pode detectar a lesão vertebral, mesmo mínima, e, com certo treino e uma sensibilidade acrescida ainda pela experiência, é capaz de perceber e registrar as menores modificações surgidas no seio dos tecidos paravertebrias.
Além disso, a experiência provou que quando se examina dessa forma uma coluna vertebral, constata-se que a s lesões sempre se encontram na altura dos pontos de maior sensibilidade, os quais, aliás, coincidem com as zonas de contratura muscular. “A sutileza do diagnóstico” e a necesidade do “dedilhado” na execução das manipulações corretivas assim o exige. A utilidade dessas manobras ficará a cargo do osteopata que julgará se são oportunas; na realidade, a vertebroterapia, como todas as terapêuticas, só será aplicada se o estado do paciente o exigir. Ela não cura todas as lesões locais ou todos os distúrbios do organismo, porém, em grande número de casos, traz aos doentes não apenas a sedação das dores, mas também o restabelecimento do equilíbrio funcional.

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